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EM 29 DE MARÇO DE 2010 COMEMORA-SE 317 ANOS DA ELEVAÇÃO DE CURITIBA À CATEGORIA DE VILA - ENTÃO É VALIDO LEMBRAR COMO TUDO COMEÇOU.

 

QUEM FOI BALTHAZAR CARRASCO DOS REIS?

Seria ele, de ascendência espanhola, ou portuguesa?
O que se pode afirmar com absoluta convicção é que seus ascendentes vieram da Península Ibérica.

Seu pai, Miguel Garcia Carrasco participou de movimentos na Capitania de São Vicente que indicam sua ascendência espanhola. Assinou manifesto juntamente com fidalgos castelhanos aclamando como Rei do Brasil Amador Bueno da Ribeira. No entanto, vendo frustrado esse intento, participou de Sessão Solene na Câmara de São Paulo, aclamando Dom João IV como soberano absoluto de Portugal e seus domínios.

O nome de Miguel Garcia Carrasco é constante no século XVII, na história da Vila de São Paulo de Piratininga. Foi fazendeiro, bandeirante e atuou também na Área Legislativa, como Procurador do Conselho junto a Câmara Municipal da Vila de São Paulo.

O seu primogênito Balthazar Carrasco dos Reis seguiu-lhe os passos. Vejam: - pelo nome também se evidencia a ascendência espanhola. Seguido ao pré-nome Balthazar, vem o Carrasco, sobrenome do Pai. Como é costume espanhol.

Balthazar muito cedo começou a participar de bandeiras. Embora tenha sido nomeado Juiz de Órfãos, sendo assim empregado da Coroa, foi integrando a bandeira de Antônio Domingues em l648, que pela primeira vez passou por estas terras e tudo indica que por ela se apaixonou.

Conseguiu sesmaria na Região do Barigüi em 166l, concedida diretamente pelo então Governador Geral Salvador de Sá e Benevides. Aqui instalou seu filho mais velho Gaspar. – Balthazar, no entanto, teve que permanecer em São Paulo exercendo o cargo de Juiz de Órfãos até comprovadamente 1675. O que explica seu nome não constar na Ata do Levantamento do Pelourinho, da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em l668. Os nomes de seus filhos, no entanto, ali estão comprovando presença: Gaspar Carrasco dos Reis e André Fernandes dos Reis.

O que se pode provar é que foi o primeiro homem euro-brasileiro a se instalar em Curitiba trazendo sua família. Casou apenas uma vez. Sua esposa era Isabel Antunes da Silva Preto, tataraneta de Antônio Preto, o fidalgo português que chegou ao Brasil quando Mem de Sá expulsava os franceses do Rio de Janeiro.

Tiveram 8 filhos: 3 homens e 5 mulheres. Alguns de seus filhos casaram com filhos de Mateus Leme, alguns de seus netos casaram com netos de Gabriel de Lara.

Estudando a vida deste homem reavaliamos nosso conceito sobre a escravidão indígena no Brasil. Questionamos, hoje, o julgamento que sentencia o bandeirante como algoz do índio “escravizado” . Pensamos que o Europeu trouxe ao Nativo um novo modelo de vida e também sofreu dele, influências culturais.

Existiram conflitos? Muitos! Quem ganhou e quem perdeu? A humanidade ganhou se considerarmos as conquistas tecnológicas como um ganho. No caso de Balthazar Carrasco dos Reis, seu papel de “protetor” do índio é evidente quando se constata julgar ser responsabilidade sua e dever apostólico, “trazer o índio para o seio da Igreja e da Civilização”.

Foi um homem religioso. Montou na Igreja Matriz da Vila um Altar a Nossa Senhora de Guadalupe. Igreja Matriz da Vila, assim já era chamada, embora Nossa Senhora da Luz dos Pinhais não passasse de um povoado! Sob este Altar de Nossa Senhora de Guadalupe, Balthazar pediu, em seu testamento, para ser enterrado junto a sua esposa Isabel. E isto se concretiza em 8 de outubro de 1697.

Balthazar Carrasco dos Reis, nesta terra, amou, viveu e tornou-se semente! A semente que germinou Curitiba!

Por que falar disso agora?

Porque em 29 de março comemora-se os 317 anos da elevação de Curitiba à categoria de Vila e é bom lembrar como tudo começou.


Teresa Teixeira de Britto


     
   

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