SEPTUAGÉSIMO QUINTO
ANIVERSÁRIO DO CENTRO PARANAENSE FEMININO DE CULTURA (6 de dezembro
2008) DISCURSO DE ISABEL SPRENGER RIBAS.
Autoridades já nominadas, senhoras, senhores!
Coube-me falar sobre os setenta e cinco anos de vida do Centro Paranaense
Feminino de Cultura. Centrista recente que sou, embora muitos dos propósitos
que sempre busquei alcançar sejam compatíveis aos objetivos
desta casa de Letras, assombrei-me com esta indicação.
Creiam que menciono isto por ser, literalmente, a verdade. Pela minha
avaliação, afirmo que nesta sala encontram-se muitas pessoas
que estariam aptas para saudar os setenta e cinco anos desta entidade
que orgulha o Estado do Paraná. E com maior aprofundamento de
que ora disponho.
Mas estava
definido. Deste modo, a incumbência honrosa, mas de grande responsabilidade
me levou a buscar algum subsídio que pudesse atrair para a minha
fala a atenção dos que me ouvem. E parti em busca de palavras
adequadas.
Desejava dizer a estas mulheres, as de ontem, já em outra instância
de vida e as de hoje, que fazem permanecer vivo, intenso e fervilhante
e extraordinariamente vívido, o Centro Paranaense Feminino de
Cultura, o que se passa em meu íntimo nesta ocasião.
Entre as
minhas fontes de consulta uma se destacou, retirada da Biblioteca desta
Casa. Permaneci absorvida do início ao fim desta leitura, muitas
vezes sentindo aflorar uma emoção norteada pela compreensão
da responsabilidade que em mim recaia.
O Centro
Paranaense Feminino de Cultura lançava, em seu Jubileu de Ouro,
nos seus Cinqüenta Anos de existência, mais presamente, na
data de 05/12/83, a Revista Panorama Cultural. Entre os artigos iniciais
de apresentação, encontra-se o Testemunho de Diva Ferreira
Gomes, então Vice Presidente desta Casa e responsável
pela elaboração da mencionada Revista. Citando alguns
nomes de destaque na cultura da época, ela estendia sua homenagem,
generalizadamente, à Mulher do Paraná. Voltarei a falar
sobre esta questão mais adiante.
Nas páginas
seguintes, fui encontrando a menção a fatos e muitos nomes
de pessoas com quem tive contatos em minha vida. Embora tenha passado
aproximados vinte anos fora do Paraná, em três épocas
diferentes, e tais circunstâncias tenham tornado cheias de interrupções
a minha percepção às muitas ocorrências em
meu estado, aqui me tornei adulta e vivi os primeiros vinte anos da
minha vida. E mais tarde, também aqui, avancei na idade.
Voltemos
a 1933. Eu nascia neste mesmo ano, na cidade de Paranaguá. E
junto comigo, com a diferença de dias, aflorava para o sucesso
absoluto, que até agora perdura, o Centro Paranaense Feminino
de Cultura.
Ouvi contar
muitas vezes a peculiar história da criação intelectual
deste Centro pelas jovens Rosy Pinheiro Lima, Ilnah Secundino e Deloé
Scalko, sob a proteção de Deus, ali, à sombra da
Catedral Metropolitana de Curitiba. E ainda agora me abismo com a representatividade
dessas pessoas. A Sessão Inaugural deste Centro foi realizada
com a presença do então Interventor Manoel Ribas, mandatário
máximo do estado e de outras autoridades relevantes.
Sigo lendo
e descubro que em 1949 a mulher do Governador Moisés Lupion,
Dona Hermínia, doou um piano a este Centro; em 1957, o Sr Antônio
Tacla, após fazer uma palestra sobre o Cultivo da Pérola,
ofereceu ao CPFC um belíssimo colar de pérolas.
1965 -
Marco histórico na questão administrativa financeira.
Presidência de Leonor Castellano. Aquisição da sede
própria, ocorrida pelas ingerências políticas de
Antônio Ferreira Ruppel e Anibal Koury, respectivamente Presidente
e Secretário da Assembléia Legislativa do Paraná.
Em 1967,
entre outras realizações, ocorreu o lançamento
de livros de Fernandina Marques, De Sonho também se Vive, de
Roselys Veloso Roderjan, Meio Século de Música, de Diva
Gomes, Um Barco na Poça D’Água, de Vera Vargas,
Estante Nacional-CPFC e da nossa muito cara Ceres De Ferrante, Mais
Eu.
O tempo
correndo. Em linha paralela e cada vez mais livre, o intelecto destas
nossas mulheres do Paraná. Os tempos eram outros, costumes modificavam-se,
a mulher mais e mais se inseria no contexto social e na exposição
pública de suas idéias e ideais.
Em 1978,
Vera Vargas, a saudosa Vera, foi a Mãe do Ano.
Em 1979
a inesquecível e amada Helena Kolody, professora querida, recebia
como homenagem o Diploma de Honra o Mérito, com versos de Argentina
Mello e Silva, fato que se repetiria muitas vezes em relação
ao ícone da poesia paranaense.
Em 11/11/81,
é cantado pela vez primeira o hino do Centro Paranaense Feminino
de Cultura, letra e música de Vera Vargas, em homenagem feita
à Nice Braga, mulher do então Governador Ney Amintas de
Barros Braga.
Continuaria falando do depoimento de Pompília Lopes dos Santos,
professora querida, em sua entrevista dada à Diva Gomes, sobre
os 50 anos desta casa...
Diria do
escrito de Helle Vellozo Fernandes, recentemente falecida, contido em
Panorama Cultural, sobre a bizarra situação ocorrida em
Miami, relativa as troca de uma fechadura quebrada no hotel em que se
hospedara...
Queria ler integralmente o belíssimo texto de Flora Munhoz da
Rocha, nossa mais recente acadêmica do Paraná feita para
seu marido Bento, em sua morte...
Desejaria
entrar em detalhes sobre a grande amiga de meu pai, como ele também
funcionária do Banco Nacional do Comércio, depois transformado
em Sul Brasileiro. Refiro-me a nunca esquecida Graciette Salmon que
jamais deixou de levar presentinhos adoráveis para mim, ainda
menina e para minha mãe, pequenas delicadezas, nos almoços
de domingo em que era convidada para nossa casa. Nestas ocasiões
era servido o indispensável e indefectível macarrão,
a posta de panela, a maionese e o vinho da colônia dos italianos,
vendidos nas carroças, à porta das casas. Saudosa Graciette,
envolta no eterno e sutil mistério que a arte já despertava
em mim, com sua aparência delicada e suas roupas sóbrias...Difícil
esquecer, ela fez parte de minha infância!
Mas meu
tempo de fala se esgota. Encerrei a leitura de Panorama Cultural/ 50
anos de CPFC. Salto para uma proximidade temporal mais expressiva, agora
auxiliada pela memória.
Mencionei anteriormente que voltaria a falar neste assunto. E como fez
Diva Gomes, naquele distante ano do 50º Aniversário do Centro,
ofereço minha reverência à Mulher do Paraná.
Era o ano de 1998, com Chloris Casagrande Justen na presidência
desta casa. Enaltecer seus feitos é absoluta redundância.
Seu dinamismo, sua garra e a sua volúpia de viver impulsionam
e lideram. Mulheres atuais, dinâmicas e objetivas e não
menos capazes estão ao seu lado.
Mas urgem
mudanças, a demanda por um espaço mais adequado às
funções do Centro Paranaense Feminino de Cultura é
imperiosa. O processo amadurece e em 2001 a nova sede é inaugurada.
Dizer destas
instalações será lugar comum, não devo me
arriscar. Basta mencionar que orgulha a todas nós. Se outra oportunidade
surgir, em algum dia, falarei sobre este assunto com especificidade,
tão relevante é.
Mas finalizo
permitindo-me ler um poema que é um pedido a Deus. Ao fazer isto,
rendo um tributo à inteligência destas mulheres que hoje
administram arte, programas, projetos, cursos, esta infinidade de ações
que mantém a dinâmica envolvente desta casa. Nela, na minha
poesia, está representada a necessidade da preservação
do intelecto da mulher. E não apenas isto, mas tudo aquilo que
ela pode realizar com a sua inteligência, se bem souber dispor
de seus atributos.