pagina principal
histórico
atividades do Centro
associadas do Centro
notícias do Centro
espaço físico
colaboradores do Centro
Cursos e Oficinas no Centro
Livraria Virtual do Centro
biblioteca do Centro
Prosa e Poesia
artigos
como chegar no Centro Feminino
fale conosco
         
  BIG BROTHER & ENTRE QUATRO PAREDES    
por Teresa Teixeira de Britto

Deixando o preconceito de lado, coloquei-me frente à televisão para entender o sucesso desse programa tão em voga, que, se desperta repulsa em alguns, consegue cativar muitos. Entendi, que a razão para tal sucesso, talvez esteja no voyeurismo, temperado com o sadomasoquismo e a ilusão do interagir.

Envolvida nessa trama que faz muito lembrar a obra teatral de Jean-Paul Sartre “Entre Quatro Paredes”, percebi que similar a obra fictícia, o anfitrião, inteligência unipresente, conduz os convidados como fantoches, enredando-os a situações pré-determinadas, testando as respectivas reações.

         

Há, no entanto, uma diferença fundamental. Os hóspedes do “Big Brother” não são personagens fictícios. São jovens ávidos de vida, que para ter e aparecer, obedecem às determinações impostas, sem questionamentos. São personalidades interessantes que merecem análise apurada pelo comportamento paradoxal.

Expõem-se vinte e quatro horas diárias, gritam a sua modernidade. Trocam de roupas e acessórios, pintam e repintam os cabelos, mudam incessantemente a maquiagem em busca da perfeição estética, no entanto se deixam tatuar, sem refletir que esse ato é irreversível, que tatuado serão para sempre, sem direito a arrependimentos.

Mas ali vão eles seduzidos pelo sonho, pelo luxo da gaiola de ouro e não percebem que como o cão de Pavlov, estão sujeitos a condicionamentos impostos a irracionais em laboratório. A casa é linda! Tal como no cenário de “Entre Quatro Paredes”, tudo sugere que viverão no paraíso. Mas aos poucos, o anfitrião oculto vai mostrando os instrumentos de tortura, vai subjugando seus hóspedes, submetendo-os às mais bizarras situações.

E ao espectador o que sobra no final do espetáculo?

Na obra de Sartre, certamente o espectador sai do teatro refletindo sobre a condição dos personagens ao tomarem consciência de que estão no inferno, mas que o tenaz, o enxofre e a grelha são os outros.

Oxalá o no final do programa “Big Brother”, os telespectadores analisem que o grande anfitrião, o dono da mídia, já não se contenta em alimentar o sadismo através da ficção. Agora testa, física e emocionalmente, frente às câmeras, as reações de indivíduos levando-os aos limites da resistência.

E assim é. A tela de entretenimento nos fornece todas as noites lições e incentivos de como, eficientemente, nos tornarmos o tenaz, o enxofre e a grelha dos outros. Não interessa, no entanto, ao dono da mídia, nos lembrar, da mais antiga das leis que rege o Universo. Trata-se da lei da causa e efeito, interpretada no dito popular como: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido.”.

O final do “Big Brother” certamente será apoteótico! O mais esperto, o que melhor souber jogar, sairá com um milhão! Dinheiro bem ganho após tantas peripécias. Dinheiro pago por nós. Dinheiro bem gasto se do programa, extrairmos algumas lições. Se entendermos que o teatro, a televisão é um espelho. E o que mostra ali, é a nossa imagem refletida. Assim sendo, somos cúmplices dessa tragicomédia, por ação ou omissão.

     
           

Centro Paranaense Feminino de Cultura

Rua Visconte de Rio Branco, n° 1717 - Centro - Curitiba/Paraná - Fone: 41. 3232 8123