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Literatura na internet
por Rubens Nogueira - Escritor on-line

Começou na década de sessenta, o IAG-PUC recebera, em doação, o seu primeiro computador – um mastodonte da IBM. E o cibernético não entendia como aquela máquina podia realizar cálculos matemáticos com tanta rapidez. Os engenheiros, com suas réguas de cálculo, sentiam-se homens da caverna.

Depois de uma década, o cibernético acompanhava, maravilhado, em operação, o primeiro centro de processamento de dados. Alimentada com toneladas de papéis-formulário contínuos, - a máquina produzia, em algumas horas, folhas de pagamento, balancetes, orçamentos, envelopes impressos com o endereço do destinatário…

Na década de oitenta, o cibernético estava na solenidade inaugural do ano letivo da Universidade de Sorocaba, e o assunto que dominou, era o início da era eletrônica – a Internet!
Ali começava a circular a palavra informática!

Em 1990, o cibernético viu seus primeiros textos digitados. Em 2002 teve seu primeiro livro produzido em computador.
Somente em 2003 criou um endereço eletrônico. Foi uma experiência e tanto! Em 2004 o livro: “Muitos anos depois”, a sexta tentativa literária, deu-lhe a ideia (agora sem acento) de prosseguir na luta vã, apenas na Web. Foi uma decisão iluminada. Nos últimos doze meses, uma boa meia-dúzia de milhares de internautas tomaram conhecimento da existência do Cibernético. Pela galáxia de Gutemberg, de 89 a 2004, não teve nem a metade de leitores…
Literatura pela Internet – que futuro tem? O suplemento de “O Globo”, “Prosa & Verso”, de 07-06-08, sobre o estado atual da crítica, colheu opinião de escritores:

1 – Miguel Conde, cita Nelson de Oliveira (…)
“Em geral, eles concordam que a crítica na Internet é parecida com a da imprensa, com uma diferença que, para Nelson de Oliveira, é “sua maior qualidade e o seu maior defeito”.
- A voz confessional, em primeira pessoa, que evita a falsa objetividade do discurso pretensamente impessoal. Isso é bom, mas às vezes descamba para o mau gosto e a grosseria – diz. – A crítica que me interessa é a que evita os lugares comuns e propõe um novo modo de enxergar determinada obra, determinado autor, determinada tendência.”

2 – Claudia Nina: “Pergunta-se: os blogs se configuram um novo gênero literário? O suporte pode determinar a qualidade de um texto? E a ciberpoesia, o que é exatamente? Talvez o espaço on-line esteja mesmo crescendo mais rapidamente do que se esperava, e um universo paralelo de proporções impensáveis abre espaços cada vez mais generosos à crítica que ainda não conseguiu se dar conta de muita coisa. O que vai surgir a partir daí e qual será o futuro da crítica e dos suplementos literários em papel não se sabe”.

3 – Beatriz Resende: “Como sempre se perde e sempre se ganha alguma coisa a cada virada no mundo da cultura artística, se a crítica acadêmica perde espaço a cada recusa que um autor recebe ao exibir, quase como num gesto obsceno, seu volume de ensaios diante de um editor, outros espaços vêm surgindo no universo livre da web. Até agora, são principalmente os jovens (alguns já não tão jovens) autores que têm se utilizado desta ferramenta para divulgar seus trabalhos, partilhar experiências e trocar críticas na formação de uma nova forma de “vida literária”. Por mais que o incomparável perfume do papel faça falta a nossos narizes viciados, vale a pena tentar ocupar esses novos espaços.”

O “Prosa & Verso” tem um blog: www.oglobo.globo.com/blogs/prosa - Ali, você encontra mais sobre o assunto.

http://rubens1.wordpress.com/

   

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