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Clube dos joelhos – 12/11/09
Por: Cerli Jardim Kupchak


Frans Post e Mauricio de Nassau

O contexto histórico em que se deu a vinda dos holandeses para o Brasil está inserido nos conflitos europeus em torno da questão colonial. Os países baixos, atual Bélgica, Holanda e parte do norte da França, rivalizavam com a Espanha pelo controle do rentável comércio marinho, de especiarias asiáticas, escravos africanos e o açúcar brasileiro.
O açúcar produzido no Brasil. era exportado para Portugal e comercializado pelos holandeses nos outros países da Europa. Após a União Ibérica, o império espanhol incorporou o reino português, adotando em represália aos Países Baixos, medidas restritivas ao comércio com seus portos, incluindo Portugal.

 
           
 

A Holanda, primeira economia moderna do ocidente, já dominava tecnologias que lhes garantiam lucratividade nos negócios. O veto aos portos portugueses e a ameaça aos mercadores de Amsterdã em sua atuação no Índico, foi o fato motivador para que o Órgão Político Supremo da Holanda e toda a burocracia que o envolvia, criasse a primeira multinacional, Cia das Índias Orientais.

O êxito dessa experiência leva-lhes a conceder o monopólio do tráfico de escravos, da navegação e do comércio e a criação da Companhia das Índias Ocidentais sendo o nordeste açucareiro do Brasil, o calcanhar de Aquiles para os holandeses..

Nassau trabalhava para a Companhia das Índias Ocidentais, quando veio administrar a colônia da nova Holanda no Brasil. Homem hábil intelectualizado, de formação humanista, representante do país que foi a primeira economia moderna do Ocidente, trouxe consigo arquitetos, astrólogos, médicos, urbanistas que colocaram suas experiências a serviço da modernização e embelezamento do Recife. Com visão de primeiro mundo Nassau, estabelece boas relações com os senhores de engenho, permite a tolerância religiosa, atraindo assim os perseguidos na Península Ibérica pela Inquisição, principalmente um grande número de judeus que se refugiaram em recife trazendo em sua bagagem , o capital financeiro. A Sinagoga Hhal Hadosh Zur Israel foi à primeira das Américas e seu primeiro Rabino, o luso holandês Isaac Aboat da Fonseca.

Com a equipe de Nassau vieram também entre outros pintores, Frans Post que se preocupou em registrar a natureza, destacando animais e a paisagem vegetal. Esses registros tinham caráter científico, pois tais ilustrações ficaram conhecidas em toda Europa, enamorando os apaixonados pela natureza, despertando a ganância nos gananciosos, e a curiosidade científica.

Com a expulsão dos holandeses, Mauricio de Nassau deixa o Brasil, estimulando a Insurreição Pernambucana.

Na Europa o mel foi trocado pelo açúcar. Os holandeses já detinham a tecnologia, o Brasil perdera o monopólio da produção. Em meados do século XVIII teria o preço do açúcar caído pela metade, fechando o ciclo de uma época.

Mas a pintura de Frans Post se eternizou mesmo sendo motivo estratégico para prestigio político ou registro histórico. Ao longo de sua vida foram 160 quadros pintados. Aquelas que não se dispersaram, até os dias de hoje encantam por sua beleza.

Os quadros criados no período da invasão holandesa no Brasil, já tinham valor especial. Eram imagens feitas com paisagens mostrando a flora, fauna e a gente do Novo Mundo. Da parte criada no Brasil, restam apenas sete quadros: quatro pertencentes ao Museu do Louvre, um ao empresário pernambucano Ricardo Brennand, um ao Museu Mauritshuis, em Haia e um ao empresário venezuelano Gustavo Cisneros.

A mostra Frans Post – O Brasil na Corte de LuizXIV no Museu do Louvre , em Paris, reuniu pela primeira vez em mais de 300 anos, quadros pintados por Post e doados por Nassau ao rei fancês em 1679 .

O Instituto Ricardo Brennand, no Recife, além de possuir a maior coleção de quadros de Frans Post, possui a única coleção do mundo com obras de todas as fases artísticas de sua carreira. Não fosse o empenho e o grande amor a arte de Ricard Brennando, o Brasil continuaria sem ter nenhum quadro dessa primeira fase, certamente a mais importante para o estudo da iconografia brasileira do século XVII.

A exposição do Ano do Brasil na França que teve a curadoria do brasileiro Pedro Corrêa do Lago, e do francês Blaise Ducos do Louvre, quarda uma grande curiosidade que pode resultar na descoberta de obras de Post que estão desaparecidas. Foi encontrado num castelo francês a paisagem A cidade e o Castelo de Frederik na Parayba, pintado em 1638. A obra acabou www.cespe.unb.br/concursos/oab2009_2/oab_ac/arrematada num leilão da Stheby´s de Nova York por 4,5 milhões de dólares. Diz Pedro Corrêa do Lago: “de lá para cá a obra de Post valorizou-se muito, se for descoberto outro quadro dessa fase o valor poderá ser muito maior”.


Lágrimas
Se o mar foi mesclado
Com sal das lagrimas de Portugal,
Minhas lágrimas se mesclam aos sabores
Quando escorregam pelos meus amores,
Sabores abusados que correm pelo meu rosto
Não pedem passagem, nem escolhem hora ou local
Adocicadas, amargas, maduras, ”amarra boca”, azedas, agridoces
Deslizam
Queixosas, persistentes, as mais sentidas
Ah! Lágrimas envelhecidas!
Por que ,quando saltam de meus olhos ,tanto inquietam meu coração?

   
           
 

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