A Holanda,
primeira economia moderna do ocidente, já dominava tecnologias
que lhes garantiam lucratividade nos negócios. O veto aos portos
portugueses e a ameaça aos mercadores de Amsterdã em sua
atuação no Índico, foi o fato motivador para que
o Órgão Político Supremo da Holanda e toda a burocracia
que o envolvia, criasse a primeira multinacional, Cia das Índias
Orientais.
O êxito
dessa experiência leva-lhes a conceder o monopólio do tráfico
de escravos, da navegação e do comércio e a criação
da Companhia das Índias Ocidentais sendo o nordeste açucareiro
do Brasil, o calcanhar de Aquiles para os holandeses..
Nassau
trabalhava para a Companhia das Índias Ocidentais, quando veio
administrar a colônia da nova Holanda no Brasil. Homem hábil
intelectualizado, de formação humanista, representante
do país que foi a primeira economia moderna do Ocidente, trouxe
consigo arquitetos, astrólogos, médicos, urbanistas que
colocaram suas experiências a serviço da modernização
e embelezamento do Recife. Com visão de primeiro mundo Nassau,
estabelece boas relações com os senhores de engenho, permite
a tolerância religiosa, atraindo assim os perseguidos na Península
Ibérica pela Inquisição, principalmente um grande
número de judeus que se refugiaram em recife trazendo em sua
bagagem , o capital financeiro. A Sinagoga Hhal Hadosh Zur Israel foi
à primeira das Américas e seu primeiro Rabino, o luso
holandês Isaac Aboat da Fonseca.
Com a equipe
de Nassau vieram também entre outros pintores, Frans Post que
se preocupou em registrar a natureza, destacando animais e a paisagem
vegetal. Esses registros tinham caráter científico, pois
tais ilustrações ficaram conhecidas em toda Europa, enamorando
os apaixonados pela natureza, despertando a ganância nos gananciosos,
e a curiosidade científica.
Com a expulsão
dos holandeses, Mauricio de Nassau deixa o Brasil, estimulando a Insurreição
Pernambucana.
Na Europa
o mel foi trocado pelo açúcar. Os holandeses já
detinham a tecnologia, o Brasil perdera o monopólio da produção.
Em meados do século XVIII teria o preço do açúcar
caído pela metade, fechando o ciclo de uma época.
Mas a pintura
de Frans Post se eternizou mesmo sendo motivo estratégico para
prestigio político ou registro histórico. Ao longo de
sua vida foram 160 quadros pintados. Aquelas que não se dispersaram,
até os dias de hoje encantam por sua beleza.
Os quadros
criados no período da invasão holandesa no Brasil, já
tinham valor especial. Eram imagens feitas com paisagens mostrando a
flora, fauna e a gente do Novo Mundo. Da parte criada no Brasil, restam
apenas sete quadros: quatro pertencentes ao Museu do Louvre, um ao empresário
pernambucano Ricardo Brennand, um ao Museu Mauritshuis, em Haia e um
ao empresário venezuelano Gustavo Cisneros.
A mostra
Frans Post – O Brasil na Corte de LuizXIV no Museu do Louvre ,
em Paris, reuniu pela primeira vez em mais de 300 anos, quadros pintados
por Post e doados por Nassau ao rei fancês em 1679 .
O Instituto
Ricardo Brennand, no Recife, além de possuir a maior coleção
de quadros de Frans Post, possui a única coleção
do mundo com obras de todas as fases artísticas de sua carreira.
Não fosse o empenho e o grande amor a arte de Ricard Brennando,
o Brasil continuaria sem ter nenhum quadro dessa primeira fase, certamente
a mais importante para o estudo da iconografia brasileira do século
XVII.
A exposição
do Ano do Brasil na França que teve a curadoria do brasileiro
Pedro Corrêa do Lago, e do francês Blaise Ducos do Louvre,
quarda uma grande curiosidade que pode resultar na descoberta de obras
de Post que estão desaparecidas. Foi encontrado num castelo francês
a paisagem A cidade e o Castelo de Frederik na Parayba, pintado em 1638.
A obra acabou www.cespe.unb.br/concursos/oab2009_2/oab_ac/arrematada
num leilão da Stheby´s de Nova York por 4,5 milhões
de dólares. Diz Pedro Corrêa do Lago: “de lá
para cá a obra de Post valorizou-se muito, se for descoberto
outro quadro dessa fase o valor poderá ser muito maior”.