Há
quanto tempo você me acompanha...
Estática somente quando eu parada.
Doce companheira de longa vida,
no meu tempo em que tanto sou grata,
nessa minha única e singular jornada.
Em meu
caminho
em dia algum, em nenhum instante
meu eu físico permaneceu sozinho.
Leal, perpétua em meu tempo,
lá está você, cordata e permanente.
Antecedendo-me. Seguindo-me.
Ou muitas vezes, rente, ao meu corpo se alinhando.
Doce companheira
que saiu comigo
do ventre materno e se postou ao lado
enquanto no primeiro beijo de minha mãe
eu recebia o amor, a ventura da Vida, recebia o afago.
Assim
irá você até o fim do meu tempo.
Findar-se-á, somente, quando eu só for pó.
E misturada à minha imagem acabada
você, Sombra amada do meu corpo em minha Vida,
agora sem missão nenhuma,
permanecerá entre meus restos, diluída...
Como o
timbre único do meu polegar
você, Sombra querida, só existiu por existir meu eu!
Assim que eu acabe, que o meu último vestígio se finde
você, Sombra que me acompanhou,
finalmente,
no escuro da minha morada final,
você,
você ali, quem sabe lá
será somente o breu!
Durou,
apenas
enquanto vivo foi o corpo que Deus me deu.