No
início de maio de 2009, a Editares lançou no Salão
Internacional do Livro de Foz do Iguaçu, a obra “A
Pedra do Caminho- Histórias de Viver e Reciclar”
que narra vivências da memorialista curitibana Thereza Lacerda,
suas buscas existenciais, sua “virada de mesa”, seu
importante papel para gastronomia, biblioteconomia, jornalismo e
para reflexão existencial, tanto no ambiente acadêmico,
como nas diversas áreas em que atuou.
O 5º livro de Thereza Lacerda é “autobiográfico
e confessional” como ela mesmo define. Conheça um pouco
mais da vida e obra da autora, Lendo a entrevista abaixo realizada
pela EDITARES.
1)
Qual a reciclagem consciencial mais importante que fez, até
hoje ?
Foi , sem dúvida, sair do estado de vítima, reconhecer
a minha parte de responsabilidade no processo e, experimentar
minha mudança radical de atitute , o que consequentemente,
repercutiu nos outros.
2)
De que forma você entende a reciclagem de vida e qual a
su a importância ?
Reciclar, para mim, é, utilizando o mesmo material que
sou, eu mesma, transformá-lo de lixo em algo de aproveitável
e autêntico.
3)
Qual a melhor forma de consolidar a cientificidade da Conscienciologia
e Projeciologia ?
Pela contínua autopesquisa. Não há outra
maneira. O grupo evolutivo, sua convivência e exemplarismo
também ajudam.
4)
Na obra “A Pedra do Caminho – Histórias de
viver e reciclar”, é possível acompanhar um
verdadeiro diálogo com o leitor. Quais as características
do seu estilo e a importância desta proximidade ?
Escrevendo e publicando, eu me afirmei como memorialista. Ao relembrar,
acabamos contando uma história e daí vem o tom coloquial
da minha narrativa.
5)
A pessoa que desenvolve a vocação para pesquisa
profissional não se contenta com as prescrições
acadêmicas. Como é sua relação com
a pesquisa?
A pesquisa exige persistência, obstinação
e uma certa inclinação para o detetivesco, ou seja,
uma pista levando a reflexões e a novas descobertas. Como
eu não desistia da busca, acabava encontrando fatos inéditos.
Por exemplo, o herói da 2ª Guerra, Clostermann, autor
de O Grande Circo, por acaso nascido em Curitiba, negou a sua
cidadania em 1989. Como eu conhecia pessoas que mantiveram contato
com a família dele, na década de 1920, procurei
nos jornais antigos até encontrar a not ícia do
seu nascimento. Anos mais tarde ele se rendeu à evidência:
em 2005, nas comemorações dos 50 anos do final da
2ª Guerra admitiu sua cidadania. Antes de sua morte, em 2006,
recebeu a medalha Santos Dumont e uma placa em sua homenagem,
oferecida pela Prefeitura de Curitiba.
6)
Na sua condição de memorialista e formada em biblioteconomia,
quais os traços ideais para desenvolver o respeito maior
aos livros - bibliofilia ?
Antes de tudo, amor aos livros. Porém, a biblioteconomia
está se transformando com o avanço da informática.
O curso, hoje se chama Gestão da Informação.
Isso significa que o trabalho, antes realizado manualmente, vai
para o computador e agiliza a armazenagem e a recuperação
da informação.
7)
Como é esse processo do livro atraí-la como um fetiche?
Na minha infância, além de morar no interior e brincar
muito, tínhamos como opção de lazer os livros
e a música, atr avés do rádio, pela velha
vitrola, ou executada por nós mesmos. Os livros chegavam
pelo Reembolso Postal e o pacote que meu pai abria, sempre me
fascinava. Um livro novo era tão valorizado quanto um brinquedo.
8)
Diante da discriminação da chefe da biblioteca aos
livros espíritas como reagiu internamente?
Nunca aceitei qualquer tipo de discriminação. De
um lado, havia o exemplo do meio familiar onde ninguém
era discriminado. Na infância, a nossa casa era aberta para
todos. De outro lado, não me submeti ao tradicionalismo
dominado pelo cristianismo. Eu também acreditava na Declaração
Universal dos Direitos Humanos que, no seu artigo II, determina:
“todos têm direito e liberdade, sem distinção
de religião, raça, cor, sexo e outros.” Contrariando
tabus sociais, eu me afirmava.
9)
O que você mais aprecia na intelectualidade francesa, visto
que escreveu num boletim um texto sobre a presença de frances
es em Curitiba?
Meu
aprendizado foi através de colégios franceses. Uma
forte atração pela França permanece até
hoje. Para mim, a cultura francesa é importante até
hoje, através do pensamento filosófico dos franceses
e de sua literatura. Na França, sempre me senti em casa.
Minha admiração e prazer começam com Rabelais,
passa por Montaigne, Rousseau, Balzac, Proust, Aragon e outros,
ainda se satisfaz, simplesmente, com alguns croissants no café
da manhã.
10)
Qual o efeito para você e sua família, no aspecto
multidimensional da doação de sua casa familiar
para se tornar um museu, relatado em sua obra “A Magia do
Casarão – Histórias de um Tempo Feliz”
de 2003?
A doação da casa da família para se tornar
um museu, a princípio, não foi aceita por todos.
Com o passar do tempo, mesmo os que se opuseram, reconheceram
a importância da conservação da casa pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN). Hoje é um dos monumentos da pequena cidade
mais visitado e, sobretudo, valorizado pela energia positiva que
emana do seu interior. Para mi m é uma alegria visitar
a casa da nossa infância, onde todos reconhecemos, fomos
muito felizes amparados pelo amor dos nossos pais.
11)
Por 2 vezes, ao menos, você foi demitida pelo seu posicionamento
ético e por ir contra o status quo na universidade? Existe
algo que se arrepende, na condição de professora
de jornalismo ou biblioteconomia ?
Como afirmo no livro, me considero condecorada por ter sido despedida
de duas faculdades por motivos políticos, ou seja, por
contrariar as imposições da ditadura militar. Não
me arrependo de nada.
12)
Depois de algumas projeções relatadas no seu livro
em que sua vida mudou ?
As experiências fora do corpo, para mim, foram por vezes
naturais e espontâneas. É preciso, contudo, insistir
no estudo da projetabilidade e estar alerta quanto às verdades
relativas de ponta (verpons) preconizadas pelo paradigma consciencial.