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  NA PRÓXIMA 2. FEIRA, DIA 8 DE JUNHO, A ESCRITORA MARIA THEREZA BRITO DE LACERDA LANÇA O LIVRO “ A PEDRA DO CAMINHO - HISTÓRIAS DE VIVER E RECILCAR".
 
No início de maio de 2009, a Editares lançou no Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu, a obra “A Pedra do Caminho- Histórias de Viver e Reciclar” que narra vivências da memorialista curitibana Thereza Lacerda, suas buscas existenciais, sua “virada de mesa”, seu importante papel para gastronomia, biblioteconomia, jornalismo e para reflexão existencial, tanto no ambiente acadêmico, como nas diversas áreas em que atuou.
O 5º livro de Thereza Lacerda é “autobiográfico e confessional” como ela mesmo define. Conheça um pouco mais da vida e obra da autora, Lendo a entrevista abaixo realizada pela EDITARES.

1) Qual a reciclagem consciencial mais importante que fez, até hoje ?
Foi , sem dúvida, sair do estado de vítima, reconhecer a minha parte de responsabilidade no processo e, experimentar minha mudança radical de atitute , o que consequentemente, repercutiu nos outros.

2) De que forma você entende a reciclagem de vida e qual a su a importância ?
Reciclar, para mim, é, utilizando o mesmo material que sou, eu mesma, transformá-lo de lixo em algo de aproveitável e autêntico.

3) Qual a melhor forma de consolidar a cientificidade da Conscienciologia e Projeciologia ?
Pela contínua autopesquisa. Não há outra maneira. O grupo evolutivo, sua convivência e exemplarismo também ajudam.

4) Na obra “A Pedra do Caminho – Histórias de viver e reciclar”, é possível acompanhar um verdadeiro diálogo com o leitor. Quais as características do seu estilo e a importância desta proximidade ?
Escrevendo e publicando, eu me afirmei como memorialista. Ao relembrar, acabamos contando uma história e daí vem o tom coloquial da minha narrativa.

5) A pessoa que desenvolve a vocação para pesquisa profissional não se contenta com as prescrições acadêmicas. Como é sua relação com a pesquisa?
A pesquisa exige persistência, obstinação e uma certa inclinação para o detetivesco, ou seja, uma pista levando a reflexões e a novas descobertas. Como eu não desistia da busca, acabava encontrando fatos inéditos. Por exemplo, o herói da 2ª Guerra, Clostermann, autor de O Grande Circo, por acaso nascido em Curitiba, negou a sua cidadania em 1989. Como eu conhecia pessoas que mantiveram contato com a família dele, na década de 1920, procurei nos jornais antigos até encontrar a not ícia do seu nascimento. Anos mais tarde ele se rendeu à evidência: em 2005, nas comemorações dos 50 anos do final da 2ª Guerra admitiu sua cidadania. Antes de sua morte, em 2006, recebeu a medalha Santos Dumont e uma placa em sua homenagem, oferecida pela Prefeitura de Curitiba.

6) Na sua condição de memorialista e formada em biblioteconomia, quais os traços ideais para desenvolver o respeito maior aos livros - bibliofilia ?
Antes de tudo, amor aos livros. Porém, a biblioteconomia está se transformando com o avanço da informática. O curso, hoje se chama Gestão da Informação. Isso significa que o trabalho, antes realizado manualmente, vai para o computador e agiliza a armazenagem e a recuperação da informação.

7) Como é esse processo do livro atraí-la como um fetiche?
Na minha infância, além de morar no interior e brincar muito, tínhamos como opção de lazer os livros e a música, atr avés do rádio, pela velha vitrola, ou executada por nós mesmos. Os livros chegavam pelo Reembolso Postal e o pacote que meu pai abria, sempre me fascinava. Um livro novo era tão valorizado quanto um brinquedo.

8) Diante da discriminação da chefe da biblioteca aos livros espíritas como reagiu internamente?
Nunca aceitei qualquer tipo de discriminação. De um lado, havia o exemplo do meio familiar onde ninguém era discriminado. Na infância, a nossa casa era aberta para todos. De outro lado, não me submeti ao tradicionalismo dominado pelo cristianismo. Eu também acreditava na Declaração Universal dos Direitos Humanos que, no seu artigo II, determina: “todos têm direito e liberdade, sem distinção de religião, raça, cor, sexo e outros.” Contrariando tabus sociais, eu me afirmava.

9) O que você mais aprecia na intelectualidade francesa, visto que escreveu num boletim um texto sobre a presença de frances es em Curitiba?

Meu aprendizado foi através de colégios franceses. Uma forte atração pela França permanece até hoje. Para mim, a cultura francesa é importante até hoje, através do pensamento filosófico dos franceses e de sua literatura. Na França, sempre me senti em casa. Minha admiração e prazer começam com Rabelais, passa por Montaigne, Rousseau, Balzac, Proust, Aragon e outros, ainda se satisfaz, simplesmente, com alguns croissants no café da manhã.

10) Qual o efeito para você e sua família, no aspecto multidimensional da doação de sua casa familiar para se tornar um museu, relatado em sua obra “A Magia do Casarão – Histórias de um Tempo Feliz” de 2003?
A doação da casa da família para se tornar um museu, a princípio, não foi aceita por todos. Com o passar do tempo, mesmo os que se opuseram, reconheceram a importância da conservação da casa pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Hoje é um dos monumentos da pequena cidade mais visitado e, sobretudo, valorizado pela energia positiva que emana do seu interior. Para mi m é uma alegria visitar a casa da nossa infância, onde todos reconhecemos, fomos muito felizes amparados pelo amor dos nossos pais.

11) Por 2 vezes, ao menos, você foi demitida pelo seu posicionamento ético e por ir contra o status quo na universidade? Existe algo que se arrepende, na condição de professora de jornalismo ou biblioteconomia ?
Como afirmo no livro, me considero condecorada por ter sido despedida de duas faculdades por motivos políticos, ou seja, por contrariar as imposições da ditadura militar. Não me arrependo de nada.

12) Depois de algumas projeções relatadas no seu livro em que sua vida mudou ?
As experiências fora do corpo, para mim, foram por vezes naturais e espontâneas. É preciso, contudo, insistir no estudo da projetabilidade e estar alerta quanto às verdades relativas de ponta (verpons) preconizadas pelo paradigma consciencial.

 
     
               

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