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NA FOTO: NAÍNE DE OLIVEIRA

HISTÓRIA DA FESTA DA PRIMAVERA

Dario Vellozo, como professor da disciplina de História Universal, no Ginásio Paranaense e na escola normal, demonstrava especial predileção pela Civilização Grega. Dessa maneira, naturalmente, envolvia os estudantes, motivando-os ao aprofundamento desse tema. Durante suas palestras, personagens históricos e mitológicos ganhavam forma e vida na imaginação de sua platéia, que ávida de conhecimento, queria sempre saber mais e entender toda aquela simbologia.

Assim sendo, o grupo de rapazes que integrava o “Centro Estudantil Paranaense” e as moças do “Grêmio das Normalistas” uniram-se para formar um grupo de estudos extracurricular. Observaram nessas investigações que a mitologia grega engloba metáforas de diversos valores, comportamentos e características da natureza humana.

Aceitando tais conceitos, quiseram experimentar aquela vivência. E assim surgiu a idéia de organizar um evento que lhes permitisse vivenciar cenas da cultura helênica. Constatando a forte relação existente entre os habitantes do Olimpo e os fenômenos da natureza, decidiram fazer desse evento um culto à estação das flores. E assim idealizaram a festa da primavera.

A 1ª festa da primavera, organizada por esse grupo, realizada fora dos muros do Ginásio Paranaense, ocorreu em 22 de outubro de l9l1. Nessa festa, reproduziram, no Prado do Guabirutuba, as competições realizadas em Olímpia, entre lançadores de dardos, maratonistas etc. Os vencedores, dessas competições, ofereceram seus louros a Chloris, a Deusa da Primavera. O ponto culminante desse evento, no entanto, foi um desfile pela rua XV. Ocasião em que, assombraram Curitiba, vestidos à grega. Chloris em destaque, sobre uma carruagem lindamente decorada, ia rodeada pelas ninfas que jogavam flores aos que se aglomeravam para ver a passagem do cortejo.

Conta-se que, contagiado pelo esplendor dessa festa, Emiliano Perneta, Subiu sobre uma das carruagens, e em pé, recitou o poema SOL em homenagem a Dario Vellozo. Poema SOL, que aqui será declamado pelas centristas: Dorothy Gomes Carneiro e Olga Gioppo.

O grupo de alunos que participaram das primeiras festas da primavera. Isto é, de l911 a 1913, estava assim constituído: (É importante a leitura desses nomes, pois quiçá haja na platéia descendentes de alguns deles) Marina Pinheiro de Castro foi a 1ª Chloris. (Aqui cabe um comentário: Dario Vellozo optou pela pronúncia Chlorís e não a pronúncia grega Clróris, certamente por influência do idioma francês que é predominantemente oxítono.) - Mas, como Chloris se tornou a deusa da primavera? Zéfiro (o vento oeste) avistou a ninfa Chloris passeando pelos bosques. Imediatamente por ela se apaixonou e como prova desse amor, transformou-a em Deusa da Primavera, concedendo-lhe o poder de germinar as flores.

Maria da Luz Viana Seiler foi Ariadne – ( filha do rei de Tebas, que ajudou Teseu enfrentar o minotauro, dando-lhe uma espada e um novelo de linha para se guiar no labirinto.
Jacy do Espírito Santo interpretou Psiquê (Psiquê foi a mais bela das mortais. A que provocou tal inveja em Afrodite a ponto desta ordenar a seu filho Eros, que a castigasse pela ousadia de ser mais bela que uma deusa. Eros, no cumprimento das ordens maternas, apaixonou-se por Psiquê. Desposando-a tiveram um filho chamado Prazer.

Anete Macedo fez a 1ª Helena (filha de Zeus) Rosa Quadros, fez a 2ª Helena.
Em seguida vinha o grupo das musas (musas são as 9 filhas de Zeus que simbolizam a memória).
Laura de Oliveira interpretou Clio, a musa da história. Aracy Silveira dos Santos interpretou Nelpômene, a musa da tragédia. Francisca de Macedo interpretou Talia, a musa da Comédia. Alba Natal interpretou Euterpe a musa da poesia lírica. Anita Cordeiro fez Terpsícore, musa da dança e canto. Leonor Marques fez a Calíope, musa da poesia épica. Arminda Mota fez Urânia, musa da astronomia. Damazinia Bittencourt fez Polínia, musa da poesia sacra. A partir de 1914, quem passou a interpretar Polínia, foi Pompília Lopes dos Santos.

Nos documentos que encontramos, não há uma designação individual dos papeis interpretados pelos rapazes. Estão nomeados apenas como Helenos. Foram eles: Guttemberg Silveira, Licimio Ferreira da Costa, Hary Loyola, Cezar Marquart, Artur Torres, João Ribas, Ercílio Souza, Alfredo Sentoni, Tasso da Silveira, Humberto Moleta, Savino Gasparini, Lycio Velloso, Porthos Velloso, Cyro Velloso, Aristoxenes Bitencourt, Paulo Silva, Rômulo Faria e Julio César Hauer.

Essa festa tornou-se anual. Já não eram apenas os alunos de Dario Vellozo que participavam. Pois todo o Ginásio Paranaense e a Escola Normal, incluindo alguns mestres, familiares e amigos dos estudantes, passaram a integrar o cortejo. Não pensemos, no entanto, que esse evento visava apenas exibição visual. O seu sentido maior era reverenciar o Universo, celebrando seus fenômenos exaltando como ponto alto, o equinócio dessa estação e reconhecendo o homem como um dos elementos da natureza.

Para mais força dar a essa celebração, Dario Vellozo compôs a letra do Hino da Primavera, que aqui lida por Naíne de Oliveira.

Tal evento resultou em importante produção literária. Poemas, romances e contos foram publicados em função dessa festa. Acyr Guimarães escreveu um conto intitulado “Sinfonia de Amor”; o qual dedicou a Dario Vellozo, pela Festa da Primavera. Andrade Muricy publicou Sonata Pagã. Muitos desses trabalhos foram editados pela Impressora Paranaense.

Já em 1912, se tem notícia de um baile da primavera. No entanto a 1ª descrição mais detalhada, nos chega do baile ocorrido em 28 de setembro de 1913, quando nos informa, que, nessa data, o salão do Clube Curitibano foi transformado em Acrópole. Mais de 50 pessoas compostas de moças e rapazes incorporando deuses, ocupavam a extensa mesa. Eram 19 horas. No centro dessa mesa em plano destacado estava Chloris. Aberta a sessão, adentrou sob torrencial aplauso, a figura principal desse evento, o mestre adorado daquela juventude: Professor Dario Vellozo, que imediatamente ocupou a tribuna e durante uma hora, envolveu a platéia em tom intimista, falando sobre a extraordinária civilização grega: seus mitos, seus símbolos que representam a trajetória humana.

E naquela mesma noite, às 22 horas, o salão nobre do Ginásio Paranaense recebeu a sociedade Curitibana. O local estava helenicamente decorado. Em uma das paredes destacava-se imenso arranjo de flores, onde se lia a legenda, em escrita feita de rosas: Salve Chloris! Então mais uma vez se fez presente a querida figura do Professor Dario Vellozo anunciando Hugo Simas para ler a página Árvore de Lágrimas, seguido por Emiliano Perneta que declamou o “BANQUETE DE NÚPCIAS’ de sua obra então inédita: “Pena de Talião”, que aqui será declamada pelo poeta Sylvio Magelano. ()

Passamos agora a palavra para a centrista Lygia Lopes dos Santos, Presidente da Academia Feminina de Letras do Paraná, para a leitura do texto escrito pela Profa. Chloris Casagrande Justen, Presidente do Centro Paranaense Feminino de Cultura, sobre as suas lembranças das Festas da Primavera. ()

Voltemos então à história daquele baile no Ginásio Paranaense, ocorrido em 1913. Os pares estavam ansiosos para dançar... Antes porém, juntos, todos, entoaram o “Hino da Primavera”, letra de Dario Vellozo, música de Luis Bastos, que aqui será apresentado por Orly Bach e Dóris Herdérico.

OBRAS CONSULTADAS: Cronologia de Dario Vellozo – Erasmo Piloto. Revista Pátria e Lar, 1911. O Guardião do Templo, artigo de Valêncio Xavier sobre o Doutor Rosala Garzuze, Jornal Gazeta do Povo: 11/setembro/2000. Livro de Ouro da Mitologia/ Algumas revistas da Editora Arte Antiga: Mitologia Grega/ História Viva – Grandes Temas “Os Gregos”. Estirpe Apostolar de Dario Vellozo, Walfrido Pilotto.

   
 

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